Já se questionaram se a utilização de um iPad é nociva para os vossos filhos? Se existe alguma idade recomendada para começar a utilizar estes dispositivos? E até quais são os pontos positivos desta utilização?

Estas duas profissionais, que vos apresentamos a seguir, são capazes de responder a essas questões que vos possam incomodar como pais, ou simplesmente que vos suscitem curiosidade.

Vamos dar a conhecer ao nosso público duas profissionais da área da Psicologia que em 2015 abriram o Centro Desenvolver+.

 

Dr.ª Liliana Carvalho:

Dr.ª Liliana Carvalho

Mestrado Integrado em Psicologia, área de especialização em Psicologia Clínica e da Saúde, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Pós-Graduação em Avaliação e Intervenção com Crianças e Adolescentes e Master em Prática Clínica em Saúde Mental com Crianças e Adolescentes.

Prática profissional em contexto clínico e escolar, essencialmente com crianças e adolescentes, contando com uma vasta experiência na área das necessidades educativas especiais.

Membro Efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

 

Dr.ª Sara Melo:

Mestrado Integrado em Psicologia, área de especialização em Psicologia do Comportamento Desviante e da Justiça, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.
Master em Prática Clínica em Saúde Mental com Crianças e Adolescentes.

Também membro Efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

 

 

 

 

Estas duas profissioanis responderam às nossas questões relacionadas com as crianças e utilização dos dispositivos iOS, mais concretamente iPhone e iPad.

1. Do ponto de vista profissional, qual a vossa opinião quanto à utilização destes aparelhos no dia-à-dia de uma criança?

Na última década temos assistido a um aumento na utilização destes dispositivos o que implica uma reflexão ponderada acerca dos seus benefícios e implicações. A verdade é que estes aparelhos podem ser viciantes, não apenas para as crianças e adolescentes, mas também para os/as próprios/as pais e mães. Na nossa opinião, a utilização destes aparelhos pode ser uma mais valia no desenvolvimento cognitivo, social e emocional de crianças e adolescentes, desde que controlada e supervisionada por adultos. Caso isso não aconteça, acreditamos que as desvantagens se possam sobrepor às inúmeras vantagens destes aparelhos.

Um dos espaços do Centro Desenvolve+

2. Acham que os pais devem manter um controlo activo na utilização dos dispositivos?

É inevitável as crianças e jovens serem atraídos pela tecnologia. Mas é possível tirar partido dela sem que a saúde e o bem-estar se ressintam. Como em tudo, a moderação é o segredo. Deixar que uma criança realize uma utilização livre, tanto a nível de tempo como de consulta de conteúdos, pode trazer efeitos nefastos. Neste sentido, sempre que possível, os pais e as mães devem controlar o tempo de utilização destes aparelhos e, simultaneamente, incentivar as crianças e adolescentes a envolverem-se em outro tipo de atividades prazerosas. Para além de limitar o tempo, devem supervisionar e monitorizar quais os conteúdos que a criança pode aceder, sobretudo em idades mais precoces.

3. Na vossa opinião, o que torna estes gadgets tão “viciantes” para estas gerações?

Como havíamos referido, os gadgets podem ser “viciantes” não apenas para as crianças e adolescentes, mas também para os pais e as mães. Esta afirmação pode ser polémica, mas a verdade é que, por vezes, os pais e as mães cedem estes dispositivos aos filhos/as como forma de os manter sossegados/as e, deste modo, conseguirem ter um momento para si ou para a realização das tarefas de casa, o que pode não ser de todo compatível com a atenção que uma criança exige. Para além disso, não nos podemos esquecer que os gadgets possibilitam o acesso às redes sociais permitindo que as pessoas estejam em constante conexão o que, para o ser humano, é importantíssimo – mesmo que por vezes esta ligação ao outro seja uma ilusão. Outro dos aspectos “viciantes” dos gadgets trata-se de ter tudo num só lugar, isto é, através de diversas aplicações é possível planear e resolver uma série de questões, o que facilita o dia a dia e permite o ritmo alucinante que levamos. Mais, nunca foi tão fácil aceder a toda e qualquer informação sem ser necessário deslocarmo-nos ou perder imenso tempo a procurar.

O espaço é agradável e naturalmente adaptado para crianças

4. Quais são os pontos negativos, que vocês como profissionais encontram na utilização abusiva destes tipo de gadgets?

À medida que aumenta o tempo de utilização destes gadgets, aumentam igualmente os riscos associados. Mais concretamente, uma utilização abusiva diminui o tempo dedicado à pratica do desporto, às relações sociais e à brincadeira ao ar livre, o que tem impacto na forma física das crianças e adolescentes, potenciando o risco de obesidade, e interfere com o desenvolvimento de amizades com outras crianças, aumentando o isolamento social e, consequentemente, o desenvolvimento de sintomatologia depressiva. Para além disso, alguns investigadores defendem a ligação entre a utilização excessiva de gadgets e problemas de sono, assim como menor prestação escolar, fraca capacidade de leitura, de atenção e de imaginação, diminuição do entusiasmo pela escola e aumento da hiperatividade.

5. Evidentemente que quem procura os pontos negativos também tem curiosidade nos aspetos positivos. Quais são eles?

As crianças podem desenvolver algumas competências tais como aprender a ler, a contar, a tocar um instrumento musical ou a colaborar mais com os outros através de softwares educativos. Estes dispositivos podem ainda ser uma janela para o mundo de acontecimentos e ideias que poderiam de outra forma não ter oportunidade de experienciar. Por exemplo, um simples iPad pode levar uma criança ou adolescente a eventos artísticos, a países distantes, a culturas que desconhecem. De forma geral, os gadgets podem não ser apenas relaxantes e divertidos, mas também proporcionar importantes experiências de aprendizagem para as crianças. O segredo está no controlo eficaz e no equilibro entre a sua utilização e as atividades que envolvem a interação social e a formação de amizades, o desporto e a leitura.

6. No aspecto pedagógico, poderão estes dispositivos ser o futuro no ensino e no desenvolvimento de um jovem? Ou acham que afastar das raízes analógicas poderá trazer novos problemas no desenvolvimentos dos jovens de agora?

Pensar nestes dispositivos como o futuro do ensino parece-nos excessivo, ainda assim consideramos que possam ter um papel muito importante a nível pedagógico. Na nossa opinião, com recurso a estes gadgets, a abordagem de ensino pode tornar-se mais interativa, motivando assim os/as alunos/as para o processo de aprendizagem. Os métodos tradicionais estão cada vez mais em desuso e desde cedo que as crianças são incentivadas a desenvolver atividades no computador, dispositivo que tem vindo a ganhar cada vez mais importância ao longo dos anos. Neste momento, são imprescindíveis as pesquisas na internet, a consulta do e-mail ou o acesso a conteúdos curriculares através de plataformas online, o que implica necessariamente o recurso a estes dispositivos. Por todos estes motivos, acreditamos que se o recurso a estes aparelhos for feito com mestria, os resultados no ensino poderão ser muito positivos.

Porque nem só com tecnologia se ocupa uma criança

7. Vocês como profissionais em diversas áreas aconselham a utilização, ou utilizam este tipo de tecnologia em consultas com pacientes?

A decisão sobre o recurso a este tipo de dispositivos cabe a cada terapeuta e deve ser baseada nas idiossincrasias e necessidades de cada criança. No nosso caso, recorremos esporadicamente a este tipo de gadgets como forma de promover competências cognitivas, especialmente no caso de crianças com necessidades educativas especiais. Obviamente que por base temos o gosto pessoal da criança. Não faz sentido recorrer a este tipo de atividades com um menino ou menina que não veja nelas algo atrativo. Porém, da nossa experiência, quando utilizadas de forma refletida, os efeitos podem ser francamente positivos.

8. Existe uma idade aconselhável para introduzir estes dispositivos na vida de uma criança?

Não existe uma regra universal que indique qual a idade ideal para que as crianças tenham contacto com estes dispositivos. Vemos crianças que no primeiro ciclo já têm o seu próprio telemóvel e/ou tablet e outros que no segundo ciclo ainda não. Tudo depende da família e daquilo que é considerado importante para a mesma. Como em tudo, reforçamos mais uma vez que a regra deve ser a moderação, assim como a supervisão e monitorização no tempo que as crianças despendem no uso destes dispositivos.

Estas questões foram respondidas em conjunto pela Dr.ª Sara Melo e Dr.ª Liliana Carvalho e vão servir para saciar a curiosidade a alguns pais que se questionam sobre a utilização destes dispositivos pelos seus filhos.

Podem ainda acompanhar o trabalho e eventos desta fantástica equipa do Centro Desenvolver+ nas suas páginas oficiais do Facebook e Instagram.

Se estão a pensar em adquirir um iPhone ou um iPad para si ou para as suas crianças, vejam os modelos atuais no site da Ponto Sagres.

COMENTÁRIO

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *